sábado, 05 de abril, 2025

Artigo

A+ A-

Artigo: Por que tokenizar ativos está em alta? É possível emitir um token para qualquer um?

Processo começou a ganhar popularidade com surgimento das criptomoedas e da tecnologia blockchain, especialmente após lançamento do Bitcoin em 2009

segunda, 24 de julho, 2023 - 10:21

Redação MyCryptoChannel

Por Rodrigo Pimenta, CEO e fundador da Hubchain Technologies

A tokenização tem o poder de revolucionar o cenário financeiro, mudando intrinsecamente como os investimentos são gerenciados, usados e monetizados. O processo de tokenização facilita a criação de uma infinidade de novos produtos financeiros, permitindo que cada pessoa e organização no mundo diversifique seu portfólio de investimentos em escala global, independentemente de renda ou tamanho.

O processo de tokenização começou a ganhar popularidade com o surgimento das criptomoedas e da tecnologia blockchain, especialmente após o lançamento do Bitcoin em 2009. No entanto, a tokenização realmente começou a estar em alta por volta de 2015-2017, desde o padrão ERC-20 (“Ethereum Request for Comments nº 20”), quando as ofertas iniciais de moedas (“ICOs”) - uma espécie de Oferta Pública de Capital “IPOs” em bolsa de valores - , se tornaram uma forma popular de financiamento para projetos baseados em blockchain. Durante esse período, muitas empresas e projetos começaram a criar e emitir seus próprios tokens para levantar capital e facilitar transações dentro de suas plataformas. Desde então, a tokenização tem sido cada vez mais adotada em diversos setores, incluindo finanças, imóveis e arte.

A tokenização de ativos envolve o processo de representação digital de ativos físicos reais em livros contábeis distribuídos ou a emissão de classes de ativos tradicionais em formato de quantidades menores (“ou tokenizado”). Dentro do contexto da tecnologia blockchain, a tokenização é o processo de converter algo de valor em um token digital utilizável em um aplicativo blockchain e um token representa uma parte bem menor, e acessível, da propriedade no ativo subjacente.

Esse processo pode funcionar para ativos tangíveis como ouro, imóveis, dívidas, títulos e arte, ou certas formas de ativos intangíveis, como direitos de propriedade ou licenciamento de conteúdo. O que é ainda mais empolgante é que a tokenização permite transformar propriedades que tradicionalmente são ativos indivisíveis em um ativo divisível através do fracionamento em forma de tokens.

Somente 30 segundos, são suficientes para a emissão de um token no blockchain. Onde é possível emitir um token para qualquer ativo ou para qualquer fim, mas vendê-lo oficialmente, sem embaraços, é outra história, pois deve estar segundo as leis e regulamentações aplicáveis. Os tokens podem representar ativos tangíveis, como imóveis e ouro, ou ativos intangíveis, como ações de empresas e direitos autorais. No entanto, a tokenização de ativos pode ser complexa e envolver questões legais, técnicas e de conformidade.

A questão está na permissão de oferecimento dos tokens ao público. Por exemplo, no Brasil, a CVM legisla sobre bens mobiliários e restringiu a venda dos tokens enquadrados como “renda fixa” em Abril/2023 - conforme orientação CVM 40 - assim como a SEC, equivalente à CVM nos EUA, também possui suas proibições e restrições. Por isso é importante consultar especialistas antes de prosseguir com a emissão de tokens para um ativo específico.

Com a tokenização, as transações de ativos digitalmente nativos são armazenadas e listadas em um livro-razão digital em uma rede blockchain, fornecendo um padrão ouro de veracidade em todo o mundo. Também, o processo de alavancar contratos inteligentes registra permanentemente as transações e as torna imutáveis e executadas instantaneamente. Isso não apenas fornece velocidade às transações, mas também reduz o trabalho administrativo, pois há menos intermediários, reduzindo os custos.

O procedimento de emissão de um token é feito com um código de programação no padrão ERC-20 que possui o nome do token, a quantidade máxima inicial, a unidade de medida e a quantidade de decimais e é traduzido para uma linguagem específica, chamada “código compilado”. Este código é então enviado para rede de blockchain compatível num processo chamado de “deploy”. Após o deploy, é criado o “Smart Contract” (“Contrato Inteligente”) que terá a lógica e o comportamento do código ERC-20 e com isso o token nasce na rede blockchain desejada.

Seguindo o padrão ERC-20, os token são registrados inicialmente numa carteira específica em toda sua totalidade ou são transferidos a medida em que sejam emitidos e “mintados” (Mynt), ou seja, no “Contrato Inteligente” existe um recurso de emissão sob demanda, o que é muito bem-visto no caso de stablecoins USDT, EURT, BRLT, que só são emitidas caso o lastro de garantia exista inicialmente no mundo físico real (em conta bancária).

O Parecer de Orientação da CVM nº 40 (de outubro de 2022), ilustra mais especificamente que existem 3 opções de categorias de tokens: (1) Token de Pagamento (cryptocurrency ou payment token), (2) Token de Utilidade (utility token), (3) Token referenciado a Ativo (asset-backed token) subdividido em 4 tipos: (3.1) “security tokens”, (3.2) “stablecoins”, (3.3) “NFTs” (non-fungible tokens) e (3.4) os demais ativos objeto de operações de tokenização. No item 3.4 temos ainda o Ofício-Circular nº 4 (Abril/2023), que faz a caracterização dos “tokens de recebíveis” ou “tokens de renda fixa” (em conjunto como “TRs”) como valores mobiliários, portanto regulamentando e restringindo ainda mais oportunidades da emissão e gestão deste tipo de ativo somente para algumas instituições autorizadas.

Após a suspensão das emissões de Tokens de Recebíveis/Renda Fixa pela plataforma tokenizadoras, foi solicitada em uma reunião representada pela ABCripto uma possibilidade de flexibilização pela CVM com três propostas: não considerar tokens de recebíveis como “valores mobiliários”, a aplicação de somente de algumas regras da Resolução 88 da CVM em relação ao “crowdfunding” e a elaboração de um modelo de licenciamento que foca em tokenização.

Esses pedidos foram baseados no fato de que o próprio modelo de tecnologia blockchain e seus protocolos, seja por L2 ou L3 (Camada2 ou Camada3), são capazes de provar o “depósito centralizado” e de “escrituração”, no caso da securitização de recebíveis, assim como layers de privacidade, por exemplo, a tecnologia “Tessera” no blockchain Hyperledger BESU - o mesmo blockchain escolhido pelo Banco Central do Brasil, BACEN, para emissão do Central Bank Digital Currency (“CBDC”), o real digital brasileiro, previsto para o final de 2024. Isto torna o ecossistema mais “coerente”, “seguro”, “componentizado”, “com privacidade”, enquanto o amadurecimento da regulamentação BACEN e CVM em relação a criptoativos e a tokenização de ativos evolui.

Embora a tokenização ofereça uma infinidade de possibilidades, ainda há muito trabalho a ser feito em termos de regulamentação global consistente e desenvolvimento de soluções de nível de produção necessárias para ampliar a adoção. À medida que o investimento em tecnologias de tokenização continua a aumentar e os benefícios de novos ativos se tornam mais evidentes, as instituições financeiras devem começar a pensar em qual infraestrutura é necessária para dar suporte à tokenização, por exemplo, onboarding, gerenciamento e integração com sistemas legados, a fim de fazer parte do setor financeiro do futuro.

Apesar dos desafios regulatórios que envolvem a utilização dos tokens, podemos dizer que a tokenização de ativos está em alta porque oferece uma forma de investimento mais acessível e democrática para os casos em que os órgãos reguladores autorizam. Com a tokenização, ativos que antes só estavam disponíveis para grandes investidores institucionais, agora podem ser fracionados em pequenas partes e vendidos como tokens para investidores individuais.

Além disso, a tokenização também permite uma maior liquidez aos tokens que puderem ser negociados em plataformas de criptomoedas a qualquer momento, sem a necessidade de intermediários. Outro fator que contribui para a popularidade da tokenização é a segurança oferecida pela tecnologia blockchain, que garante a autenticidade e rastreabilidade dos ativos tokenizados. E você, está pronto para fazer parte deste novo universo de tokenização? Afinal de contas, serão cerca USD 16 Tri em jogo até 2030, conforme a Boston Consulting Group.

A opinião e as informações contidas neste artigo são responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, a visão da MyCryptoChannel.

Tokens

Escândalo cripto na Argentina com LIBRA: empresário diz poder influenciar Milei via irmã

Mensagens vazadas indicam que CEO ligado ao token Libra teria sugerido pagamento a Karina Milei para garantir apoio do presidente argentino

quarta, 19 de fevereiro, 2025 - 13:25

Redação MyCryptoChannel

Continue Lendo...

O escândalo financeiro da Argentina sobre as criptomoedas tem novidades. De acordo com o jornal La Nacion, mensagens de texto vazadas indicam que um dos criadores do token cripto Libra (LIBRA) teria afirmado poder influenciar o presidente Javier Milei por meio de sua irmã, Karina Milei. 

Mensagens sobre LIBRA

Hayden Davis, CEO da Kelsier Ventures e ligado à criação do token Libra, teria enviado mensagens a um executivo de uma empresa de investimentos em criptoativos sugerindo que poderia pagar Karina Milei para garantir o apoio do presidente. 

Em uma das mensagens, Davis supostamente escreveu: “Podemos fazer Milei tuitar, encontrá-lo pessoalmente e fazer promo”. Outra mensagem atribuída a ele afirma: “Eu envio $$ para a irmã dele e ele faz o que eu mando e o que eu quiser”.

Karina atua atualmente como secretária-geral da Presidência da Argentina e é considerada uma das assessoras mais próximas do presidente. 

De acordo com a reportagem, a proposta de Davis foi rejeitada pelo executivo, cujo nome não foi revelado. 

O CEO da Kelsier Ventures não foi encontrado para comentar as acusações, mas um porta-voz declarou à CoinDesk que Davis não se lembra de ter enviado tais mensagens e que não há registros em seu celular. Ele também negou qualquer pagamento a Javier ou Karina Milei.

Caso LIBRA

No último final de semana, o presidente da Argentina, Javier Milei promoveu a criptomoeda Libra (LIBRA). 

Com o intuito de “fortalecer a economia argentina”, o ativo digital registrou avanço. Porém, algumas horas depois, o projeto devolveu os ganhos aos investidores. Por isso, eles perderam dinheiro com o investimento. 

O prejuízo soma mais de US$ 4 bilhões e 40 mil pessoas afetadas.

Durante uma entrevista ao canal Todo Noticias, em 17 de fevereiro, o presidente afirmou: “Eu não promovi isso. O que eu fiz foi divulgar”. 
 

Tokens

Tether compra parte de Juventus e token do clube dobra de valor

Emissora do USDT fez com que JUVE registrasse avanço de mais de 100% nas últimas 24 horas

sexta, 14 de fevereiro, 2025 - 16:52

Redação MyCryptoChannel

Continue Lendo...

Criptomoeda com futebol? Essa combinação pode parecer estranha, mas ela também pode dar ótimos resultados. O token do clube do futebol Juventus dobrou de valor nesta sexta-feira (14) após a Tether, empresa responsável pelo USDT, comprar uma participação minoritária do time. 

Após a compra pela Tether, o Juventus Fan Token (JUVE)  cresceu mais de 100%. O JUV registrou avanço de 108% nas últimas 24 horas. De acordo com o CoinMarketCap, o ativo é negociado a R$ 12,38 (US$ 2,21) nesta sexta. 

Porém, a máxima histórica do token não é essa. Em dezembro de 2020, o JUVE atingiu US$ 37,83.

Tether compra parte do Juventus 

De acordo com a emissora do USDT, este “investimento representa um marco significativo para a Tether”. A empresa afirmou que a “aquisição de uma participação minoritária na Juve pela Tether está ansiosa para entregar uma sinergia de ativos digitais esportivos em um novo nível”.

Mas parece que a Juventus não é o único clube que a Tether está interessada. Segundo o comunicado, “eles estão analisando seus investimentos estratégicos em franquias esportivas em todo o mundo e integrando seus ativos digitais, pagamentos e experiência em IA e biotecnologia recentemente adquirida na indústria esportiva e montando uma equipe de consultoria de alto nível para esta iniciativa”.